Caminhos espirituais – o caminho do amor, devoção e entrega

Caminhos espirituais

Caminho de Sri Chinmoy – O caminho do amor, devoção e entrega

por Thamara Paiva

Sri Chinmoy em seus escritos nos diz que a religião é como nossa casa e um caminho espiritual é como a nossa escola. Entendo que é como se cada um pertencesse a um tipo de casa, mas a escola pertencesse a todos. Na escola, existem as turmas; os bons e maus alunos; os colegas e amigos, e cada um aprende de acordo com o seu momento, seu nível de entendimento sobre as coisas. Na busca por algo a mais da vida, me deparei com a meditação e descobri uma forma de me conectar com a espiritualidade. No curso, além de aprender técnicas que me ajudaram a meditar, descobri um caminho espiritual, uma possibilidade de progredir espiritualmente. No caminho de Sri Chinmoy, que é o do amor, devoção e entrega, encontrei a paz que tanto buscava. De acordo com seus ensinamentos, aprendi que cada um de nós está destinado a um caminho, e que esse caminho irá nos ajudar a evoluir mais rapidamente.

Do livro Beyond Within, de Sri Chinmoy:

Amor humano e amor divino

Amor divino é um florescer de deleite e altruísmo. Amor humano é uma cabriola de sofrimentos e limitações. Quando o engaiolamos, o chamamos de amor humano, quando permitimos que o amor voe na consciência tudo-permeante, o chamamos de amor divino.
Amor-humano comum, com seus temores, acusações, desentendimentos, ciúmes e disputas, é como uma chama encobrindo o seu próprio brilho com uma mortalha de fumaça. O mesmo amor humano erguido do encontro de duas almas, é uma chama pura e radiante. Ao invés de fumaça, ela emite os raios da auto-entrega, sacrifício, abnegação, alegria e verdadeira satisfação.
Amor divino é desapego, amor humano é apego. Desapego é verdadeira satisfação, apego é sede insaciável. Amor ascendente, partindo da alegria a alma, é o sonho de Deus.

Devoção a Deus

Devoção é a completa submissão da vontade individual à divina Vontade. Devoção é adoração. Adoração é o espontâneo deleite que aflora do coração. Quem pode ser objeto de nossa adoração? Deus. Como podemos adorá-lo? Através da nossa auto-entrega. O homem ama. Em retorno ele espera amor. Um devoto ama. Mas ele ama aos seres humanos por amor ao seu doce Senhor que em tudo reside. Seu amor vive na humildade, alegria espontânea e serviço abnegado. Devoção é o aspecto feminino ao amor. É doce, energizante e completo. Uma criança não se importa com o que sua mãe é. Quer apenas a constante presença de amor de sua mãe diante de si. Semelhante é o sentimento do devoto para com o seu Senhor. Devoção é ação. Essa ação é sempre inspirada pelo ser interior do devoto. Devoção traz renúncia. Verdadeira renúncia nunca é vida de isolamento. Renúncia é um desgostar derradeiro da vida animal da carne. É também uma total ausência de ego. Uma vida de verdadeira renúncia é uma vida que vive no mundo e no entanto não deriva seus valores dele. Devoção é dedicação.

A força da entrega

O mundo de hoje deseja individualidade. Demanda liberdade. Mas verdadeiras liberdade e individualidade podem residir apenas no Divino. Entrega é o incansável alento da alma no coração de Deus. Na entrega descobrimos o poder espiritual através do qual nos tornamos não apenas os videntes, mas também os possuidores da verdade. Se pudermos entregar em absoluto silêncio, nós mesmos nos tornaremos a realidade do real, a vida do vivente, o centro de verdadeiro amor, paz e bem-aventurança. Amor espontâneo pelo Divino é entrega, e essa entrega é o melhor presente na vida. Pois quando nos entregamos, num instante o divino nos dá infinitamente mais do que seríamos capazes de sonhar em pedir. Entrega é um milagre espiritual. Ela nos ensina a ver Deus de olhos fechados, como falar com Ele de boca fechada.

O diário de uma buscadora: meditação e a insatisfação com a vida

Insatisfação com a vida

por Juliana Francisco

Estava tomando sorvete e sem querer ouvi um grupo de amigos conversando e uma das pessoas falou: “estamos sempre insatisfeitos, nada está bom, a gente sempre reclama de tudo”. Ao ouvir esse trecho da conversar me inspirei a escrever este artigo, pois costumava me sentir insatisfeita com tudo antes de começar a meditar, lembro que, se acontecesse algo bom, ficava feliz por pouco tempo e na sequência surgia o sentimento de que poderia ser melhor ou a sensação de que outra coisa me traria mais felicidade, ou ainda, o sentimento de que aquilo não era o suficiente e encontrava defeitos no que havia acontecido. E essa insatisfação não era direcionada apenas para as coisas que aconteciam, mas se estendia a mim. Nunca estava satisfeita comigo. Eu precisava sempre fazer mais. Quando completava algo, tinha de haver outra meta. Eu sempre me comparava aos demais e sempre tinha um sentimento de inferioridade. Por isso buscava fazer mais e melhor, mas nunca estava satisfeita. Sempre olhava para fora, me comparava, buscava ser melhor ou ter mais que o outro, as metas surgiam com base na comparação, em superar o outro, em ser melhor, para me sentir melhor. Mas o engraçado é que, quando aconteciam, os sentimentos de “felicidade”; “satisfação”, duravam tão pouco e logo eu havia de focar em outra coisa, para sentir isso de novo. O problema é que no meio disso, entre uma coisa e outra, o que havia era apenas insatisfação, as coisas pareciam difíceis de serem conquistadas e a jornada em si era puro desprazer.

“É o desejo que causa sofrimento; mas a própria vontade de realizar Deus é felicidade. Esteja certo de que Ele irá limpar e confortar você, pegando-o em Seus braços. A tristeza acontece para levá-lo a felicidade. Em todos os momentos devemos mantê-Lo em memória.
Sri Anandamayi Ma

A mestre espiritual Sri Anandamayi Ma diz que “você é imperfeito, algo falta em você, e esse é o motivo pelo qual sente o desejo por preenchimento…”. Recentemente li este trecho e entendi que essa busca contínua e o sentimento de insatisfação, se deviam a isso. Sou imperfeita e preciso me preencher, me completar. O problema é que não sabia o que iria me preencher, por isso buscava satisfação nas coisas comuns, nas coisas que todos buscam, como uma profissão, relacionamento, compras, bens, etc. E quando conseguia o que desejava, percebia que este tipo de coisa me trazia felicidade transitória. Quando comecei a participar das aulas de meditação do centro de Sri Chinmoy, além das práticas de concentração, comecei as ler os livros sobre espiritualidade. Nunca tive uma religião, pois não me identificava, sempre chegava em um ponto onde eu não conseguia respostas as perguntas que tinha. Cheguei a desacreditar que Deus existia. No geral, sempre fui muito cética. Mas nos escritos e conteúdo do curso, percebi que a espiritualidade poderia ser trabalhada não apenas por meio de uma religião, mas também através da meditação, e que a meditação era uma forma de conexão com Deus. Nunca gostei de terceirizar a responsabilidade da minha vida, sempre fui responsável e “autossuficiente”, e por isso tinha um certo pré-conceito em relação as religiões, pois, na minha visão (antigamente), as pessoas entregavam a responsabilidade das suas vidas para Deus em troca de algo, esperando algo de Deus. E por isso, Deus, a palavra ‘Deus’ era vista por mim como uma muleta para as pessoas que não queriam ser responsáveis por suas vidas. Não entendia como Deus poderia significar tanto, pois no geral, não via sua presença na minha vida e na vida de outras pessoas no mundo. Mas no curso a abordagem foi muito esclarecedora e os livros me traziam respostas a perguntas que nem sabia que tinha, e as informações entravam como se fossem verdades absolutas; eu não conseguia questionar. Como Sri Chinmoy diz, “a meditação não é simplesmente o domínio da técnica, mas a lembrança de um conhecimento que já está dentro de nós. Nossa própria alma é nossa melhor professora”. Sinto isso: que fui relembrando o que estava aqui dentro. À medida que fui me aprofundando, praticando a concentração, fui tendo experiências pessoais transformadoras, fui sentindo que a meditação estava preenchendo a minha vida. E não sei dizer em que momento o sentimento de insatisfação se foi, ou melhor, o sentimento de insatisfação que costumava sentir. Com a meditação, consegui sentir o que é Deus, o que Ele representa, qual é o meu papel, qual meu propósito aqui, entre outras coisas, que não são passíveis de explicação.

“Do que precisamos
É uma vela-aspiração
A nos mostrar o caminho a Deus.”
Sri Chinmoy

Hoje acredito que nosso objetivo é voltar a fonte – e qual é a fonte? Deus. Sinto que estamos aqui vivendo experiências para nos elevar, nos iluminar. Somos, por essência: luz; paz; alegria genuína. E nos sentimentos imperfeitos, pois ainda nos falta algo. E o que falta? Deus. Como se Deus fosse o oceano e nós, cada um de nós, fossemos uma gota. Apenas nos sentiremos perfeitos e satisfeitos, quando nos juntarmos ao oceano. De certa forma, ainda me sinto “insatisfeita”, pois ainda não me elevei, não me iluminei. De acordo com a cultura indiana, algumas pessoas, poucas, aqui na Terra, sentem uma unicidade com Deus, a ponto de sentirem essa satisfação e preenchimento total, como se fossem Deus. Como Jesus disse: “Eu e meu Pai somos um”. De todas as teorias, essa é a que sinto ser a verdadeira, pois sinto a cada dia, quando faço minhas práticas espirituais, que estou mais próxima de Deus, e esse sentimento me preenche, me completa e faz sentir satisfeita. Antes a minha felicidade poderia ser definida como momentos de euforia; hoje sinto algo sólido e constante, pacifico e profundo.  Hoje a insatisfação se foi, daquela forma como a sentia. Sinto que estou no caminho certo, que a minha jornada se tornou prazerosa, pois a conexão com Deus foi estabelecida e Ele me satisfaz. Agora sinto que basta fixar a minha mente em Deus, que tudo se transforma.

Sri Chinmoy diz que na oração nós falamos e Deus escuta e, na meditação, Deus fala e nós escutamos. Independente do caminho espiritual que escolhemos, seja por meio da oração ou da meditação, todos os caminhos nos levam para o mesmo lugar, a Fonte. Percebi, o significado do que as pessoas diziam sobre “colocar Deus na sua vida”. Isso me parecia frase de “religioso”, mas numa forma pejorativa. Mas hoje sinto o que isso significa. Com a meditação, aprendi a acalmar a minha mente, e com isso ficou mais fácil ouvir a Deus, me conectar com Ele, sentir o que é colocar Deus nas nossas vidas e a satisfação consequente desse ato.

Eu te darei tudo
“Eu lhe darei uma chance
Se você receber essa chance.
Eu lhe darei uma nova vida
Se você receber a nova vida.
Eu lhe darei tudo que você precisa
Mas é você quem deve receber isso de mim.
Na sua alegre aceitação-luz
Está a manifestação-perfeita da sua vida.”

Sri Chinmoy

A meditação no controle da vida

Perdi o controle da minha vida, e agora?

por Juliana Francisco

 

Antes de começar a minha busca consciente por autoconhecimento e meditação, comecei a sentir que não tinha o controle da minha vida, que tudo que eu achava que tinha não era real. Exemplo: perdi amigos que achava que eram meus verdadeiros amigos; perdi familiares, que supostamente deveriam me amar do jeito que sou; perdi a motivação para prosseguir trabalhando na minha área de atuação, que por sua vez era uma das coisas que me definiam, pois vivi para construir a carreira que tinha; perdi os interesses comuns como compras, viagens, comidas, bebidas e festas, enfim, a impressão que tinha era de que nada estava dando certo. Toda a vida que sonhei, que construí, que me definia, parecia nunca ter existido ou mesmo que não me pertencia.

Esse sentimento de perda de controle da vida comum, foi muito difícil para mim. Eu costumava ser o tipo de pessoa que sabe de tudo, que tem controle sobre tudo, que aconselha as pessoas, pois sabe viver sua vida, e, de repente, tudo muda. Não sabia quem eu era, o que eu queria, qual era o sentido da vida e porque as coisas que tinha não me satisfaziam mais. O mais difícil foi não ter com quem compartilhar esse sentimento, mesmo em casa. Eu não queria mais nada da vida e “queria algo a mais”, não queria as coisas triviais, que no geral buscamos, como dinheiro, poder, fama, bens materiais e prazeres comuns. Isso não me satisfazia. E uma das coisas mais incompreendidas por mim é o fato de “não querer nada”, “não desejar nada”; eu sempre fui o tipo de pessoa que tem objetivos claros, metas e ação para alcançá-los. Então foi super assustador perceber que não queria nada e ao mesmo tempo ter de viver a vida comum, que todos vivem. Afinal, temos de pagar nossas contas. Mas depois fui percebendo, ao longo da minha busca por “algo mais”, o que estava acontecendo comigo.

Tem uma história, que Sri Chinmoy conta no livro “O Herói Divino” que diz assim:

Um bom homem e um homem mal eram vizinhos. Um dia, o homem mal disse, “Você tem que desenvolver qualidades artísticas. Você tem que ir a bons clubes e aprender sobre cultura, filosofia, espiritualidade a muitas outras coisas.” O homem estava hesitante. Ele disse, “Não, não. Para mim, é melhor eu ficar em casa e ler livros religiosos e espirituais”. O homem mal disse, “Ao menos venha ao meu clube uma vez e veja o que você gosta. Você está fadado a aprender algumas coisas que são necessárias na vida humana.” O bom homem concordou, e juntos foram ao clube. Eles leram em voz alta livros espirituais e religiosos e discutiram todo tipo de coisa. Depois da discussão, eles começaram a beber. Eles tiveram uma maravilhosa discussão cultural, religiosa, espiritual e filosófica e então começaram a beber!

Quando o bom homem voltou para a casa, sua esposa não pode acreditar no que viu. O que você fez? Eu não consigo te reconhecer!
Ele disse, “ Eu bebi vinho”;

Sua esposa ficou furiosa. “Como pode fazer isso?”, ela gritou.

O marido disse. “Meu amigo me disse que isso era bom. O Senhor Indra costumava beber néctar. Seu néctar e meu vinho são as mesmas coisas”.

A esposa estava extremamente irritada. “Não, não. Você não pode beber. Você não deve beber”!

O homem disse, “ok, eu te prometo não beber nunca mais”.

Ora, uma vez que você bebe, você é pego. Quando seu vizinho o convidou a ir ao clube novamente, o homem disse, “Minha esposa ficará furiosa. O que vou fazer?”

O amigo perguntou, “Me diga francamente, você gostou?”

“Sim, eu gostei, mas agora terei uma briga em casa. Terei uma guerra!”.

O vizinho disse, “Não, não, não, desta vez nada irá acontecer. Você apenas tem que vir comigo. Eu te asseguro que nada irá acontecer”.

O bom homem foi ao clube novamente. Ele aproveitou a discussão filosófica, espiritual e outros tipos de coisas. Quando, com seu amigo, ele voltou para casa, muito bêbado, sua esposa estava esperando. Ela disse, “Você prometeu não fazer isso”! Então ela falou que queria deixá-lo.

O bom homem disse, “Não, desta vez minha promessa será definitivamente sincera. E nunca, nunca mais irei lá novamente”!

A esposa disse, “Porque você está mentindo? Você disse da última vez que não iria lá novamente!” Ele replicou, “Mas mesmo o Senhor Indra disse muitas mentiras.” A sua esposa disse, “Você é outro Senhor Indra para dizer mentiras o quanto quiser?”

O marido disse, “Indra disse muitas, muitas mentiras e até mesmo roubou uma vaca. Eu nunca roubei nada, então Indra estava um passo à frente de mim. Indra era um ladrão, enquanto que eu sou apenas um mentiroso. Indra nos ensinou como dizer mentiras. Se Indra, o deus cósmico, pode dizer mentiras, o que há de errado em um ser humano dizer mentiras?”

No dia seguinte era feriado para o marido, então ele não foi trabalhar. Sua esposa era devotada a ele. Todo dia pela manhã, ela preparava o café da manhã, depois o almoço e a janta. Geralmente ela preparava o café da manhã por volta das 8h, mas era 11h e ainda a sua esposa não havia feito o café da manhã. O que ela está fazendo? Ela está costurando uma peça de roupa para ela? Finalmente ele pediu para seu filho dizer para sua mãe que estava ficando tarde e ele estava extremamente faminto.

A mãe disse ao seu filho, “Por favor, por favor, meu filho, meu querido, não se envolva na nossa briga – apenas observe e aproveite o que está acontecendo.”

Seu filho disse, “Eu não quero me envolver nesta briga Mãe. Por favor, cuide disso.”

Em breve era 13h, então 14h. Ainda a esposa não havia dado nenhuma comida ao marido. Ele estava ficando furioso e finalmente disse,

“Que tipo de esposa é você?”

Sua esposa disse, “Desde que você se tornou outro Indra, eu sou definitivamente Sachi, esposa de Indra. Quem pode dizer que Sachi já cozinhou? Ela tinha muitos, muitos empregados e cozinheiros para ela. Eu sou a Sachi agora, então eu não preciso cozinhar nunca mais. Deixe-os cozinharem e te servirem, porque de agora em diante, eu farei o que eu quiser fazer; sou uma rainha. Indra era um rei e reis possuem todo tipo de cozinheiros a empregados. Eu sou uma rainha, então farei o que eu gostar. Eu não vou cozinhar para você nunca mais.”

O homem estava tão triste e perturbado em ouvir as palavras da esposa. Ele disse, “Eu nunca, nunca mais irei com meu amigo ao clube.

Eu permanecerei devotado e fiel a você. Está é minha absoluta e solene promessa.”

O filho deles estava muito feliz que seus pais se reconciliaram. Daquele dia em diante, a esposa cozinhou e fez tudo para seu marido, como sempre, e seu marido manteve sua promessa. Ele não foi mais ao clube com seu amigo. Isso foi como a esposa ensinou uma lição ao marido.

Quando encontrei o curso de meditação aqui em SP, comecei a praticar a meditação diariamente, ao menos duas vezes ao dia, a ler livros espirituais e me autoconhecer. Então percebi que Deus, é maravilhoso, mas o problema é que ele as vezes se esconde, ele brinca conosco, faz como a “esposa” fez com o “marido”, até que a gente perceba que tem algo errado, sinta a “fome” por algo mais e cumpra a nossa promessa.

Eu sinto isso, eu acabei aproveitando as coisas da vida, foi bom até certo ponto, fazia por que todos fazem, como o “marido” fez, foi bom, mas depois, quando Deus se escondeu, eu percebi que queria o que era realmente importante para mim. E só percebi isso, quando Deus, “a esposa” se fez ausente. Quando a “fome” apareceu.

Sri Chinmoy diz que cada alma faz uma promessa a Deus antes de vir a terra. Quando nos mantemos no caminho que prometemos, nos sentimos satisfeitos, felizes, com um sentimento de que “estamos no caminho”. É assim que me sinto agora. No caminho. Sei que a caminhada será longa, mas não estou só. A vida voltou a estar no meu controle, mas porque sei que não tenho o controle sobre ela. Nunca tive o controle, percebo que Deus, o Arquiteto, Alá, Vácuo quântico ou qualquer nome que você queira dar para esta força que rege tudo, sempre esteve no controle de tudo, mas eu estava seguindo um caminho diferente daquele que me comprometi. Para algumas pessoas é assim, e vejo hoje, conversando com meus colegas de meditação que é isso mesmo. Para algumas pessoas, há satisfação em viver o ciclo de vida comum, como fazer a faculdade, casar, ter filhos, bens materiais e morrer, mas para outras, como eu e meus amigos da meditação, não. Precisamos de algo a mais para nos sentirmos felizes e satisfeitos.

 

Deus está mantendo Sua Promessa.
Ele está segurando você
Cuidadosamente e firmemente
E te impedindo de balançar.
Talvez você, também,
Fez uma promessa solene a Deus.
Talvez!

-Sri Chinmoy

Meditação no trabalho – efeitos e experiências no ambiente de trabalho

Pergunta: Qual é a melhor forma de ficar numa consciência divina enquanto estamos trabalhando duro?

Sri Chinmoy: A melhor forma de permanecer numa consciência divina é parar o que está fazendo por três minutos a cada hora. A cada hora fique sozinho por três minutos. Ao final de cada hora, não importa o que esteja acontecendo, fique sozinho e medite por três minutos. Esses três minutos terão um poder tremendo. Se puder meditar por três minutos e obtiver paz, luz e confiança, manterá essas qualidades por uma hora facilmente. Você pode estar numa sala ou na rua, mas ninguém deve estar com você ou perto de você quando meditar. Essa é a melhor maneira de permanecer numa consciência divina enquanto trabalhar.

Nas últimas três semanas em particular, meu trabalho tem sido muito, muito, incrivelmente cansativo. Mas hoje tive uma experiência incomum.

Uma das minhas chefes chegou junto comigo no trabalho, e logo veio me dizer: “Hoje eu sonhei com você. Você estava indo para um lugar muito importante. Aí fiquei curiosa, queria saber se estava tudo bem?” Ela até disse que, depois do sonho, ficou inspirada a ler um pouco mais sobre o meu Mestre, Sri Chinmoy.

Eu contei para ela que estava indo no dia seguinte para Nova Iorque para visitar o meu Mestre espiritual. Isso é algo muito importante, e, além das experiências interiores e exteriores, inspiração e purificação que acontece nessas viagens, contei para ela que, ao sentar no avião na viagem de volta, sinto-me uma pessoa completamente diferente daquela que sentou-se no avião na viagem de ida. É como se uma vida inteira tivesse passado. Acho que é uma medida subjetiva do progresso que fiz durante a viagem. É uma viagem muito importante, exatamente como o sonho dela a descreveu.

Não preciso dizer que ela ficou impressionada com a “coincidência” de eu estar viajando para NY 36h depois do sonho.
Foi de fato muito interessante uma colega de trabalho, com quem não costumo conversar todos os dias, ter uma experiência dessas.
Eu nunca fiz nada extraordinário de forma consciente pelos meus colegas, exceto as coisas normais do dia a dia. Tentar ser educado, sincero, etc. Eu medito de manhã cedo todos os dias faz 16 anos e também medito por alguns minutos antes de começar o meu trabalho.
Mas acho que, sem eu ter qualquer intenção, sem eu ter qualquer capacidade de fazer algo por alguém, algo que recebo durante a minha meditação os meus colegas o recebem em algum grau. Num exemplo análogo, se você começa a trabalhar numa firma X, talvez desenvolva interesse em aprender sobre X. Se seus colegas de trabalho na firma Y gostam de fazer Y nas horas vagas, talvez você comece a sentir vontade de fazer Y. Igualmente, acho que um pouquinho do que eu recebo, (por uma graça incondicional, preciso dizer), é compartilhado com as pessoas ao meu redor.

A experiência de hoje é uma de muitas que tive nos meus 15 anos de trabalho. Em todo lugar que trabalhei, a cada ano que passa, a cada novo prédio para onde vou, a cada seção nova onde sou lotado, acontece alguma coisa assim, que me deixa inspirado e, ao mesmo tempo, traz um sentimento de humildade, de gratidão por poder presenciar essas coisas, já que eu mesmo não fiz nada.
Sinto que estou cumprindo o meu dever: ao mesmo tempo como buscador espiritual, como alma aspirante e como um funcionário simples, mas sincero.

Acho que é uma das coisas bonitas do caminho de Sri Chinmoy. Ele pede que seus alunos tenham trabalhos normais. Ou seja, para nós, não há aquela opção tradicional de deixar a família, meditar na caverna ou num mosteiro ou na floresta. Sinto que, como discípulos desse Mestre, parte do nosso dever é interagir com sabedoria prática e uma normalidade espontânea, sincera, de um buscador espiritual vivendo num mundo moderno e repleto de oportunidades e novas possibilidades florescendo a cada dia.

Mais sobre dicas para meditar no trabalho

Contando suas experiências interiores de meditação para os outros

Você pode explicar o valor de tentar contar aos outros suas experiências interiores?

Sri Chinmoy: Alguns Mestres aconselham seus discípulos a compartilharem suas experiências apenas com eles. Na maioria das vezes não é aconselhável compartilhar as experiências interiores de alguém com outros. Suponha que você tenha tido uma muito elevada esublime experiência.Mesmo se você contá-la a seu amigo mais íntimo, o ciúme dele poderá tentar devorar a riqueza, a realidade viva da sua experiência. Ocorre algumas vezes que ao dividir suas experiências com um iniciante, este irá tentar ter a mesma experiência de qualquer jeito.Na vida espiritual isso nunca acontece. O progresso espiritual é um processo lento, constante e gradual. Por você ter provado uma manga e me contado, eu poderei talvez subir na mangueira.Mas se não souber como subir, ao tentar eu cairei e irei me machucar. Outra coisa: se você contar suas experiências interiores para outros, o orgulho humano deles poderá entrar em você.

Experiências interiores somente devem ser compartilhadas com a permissão do Mestre.

Se a pessoa não tem um Mestre,deve então mergulhar dentro de si profundamente e ouvir os ditames da sua alma. Se a alma ou o Mestre pedir a um ao buscador que compartilhe suas experiências com o resto do mundo, não haverá problema então. Pode ocorrer nesse caso que se a pessoa contar suas experiências, seus amigos fiquem inspirados a entrar no mundo de aspiração. Porém é sempre aconselhável perguntar ao Mestre ou ir fundo dentro de si, para saber quando se deve compartilhar suas experiências. De outra forma isso poderá criar resultados imprevistos e deploráveis para o próprio buscador ou para os outros com quem ele tenta compartilhar suas próprias experiências.

Quando estamos no mundo exterior, estamos livre e desimpedidos para falar de nossa vida espiritual ou devemos reservar isso só para os que aspiram?

Sri Chinmoy: Se você falar sobre suas experiências, poderá ficar em apuros.O solo tem que estar fértil. Se as pessoas são genuínas e sinceras, então sua conversa será frutífera. Do contrário, eles terão todo o direito de não compreendê-lo e ridicularizá-lo.Você pode não se importar se alguém zomba de você, porém a pessoa que não se beneficiou ou não se inspirou com o que você disse, infelizmente poderá tentar bloquear sua própria inspiração e aspiração. Nós devemos então usar nossa sabedoria que ele também é uma criança de Deus; deixe o momento do seu despertar chegar na Hora escolhida por Deus.Não é da sua conta acordá-lo. Quando alguém está pronto, clamando por uma vida mais elevada, aí então é a hora de você acordá-lo do sono que é a ignorância.

Se você der uma nota de mil dólares para uma criança, ela a rasgará. Para ela a nota não tem valor. Porém um adulto saberá o valor dos mil dólares. Similarmente quando você compartilha suas experiências interiores com um aspirante ou buscador, ele irá se beneficiar com isso. Ele sabe quão difícil é ter uma experiência interior. Aqueles que clamam pela vida interior, são as pessoas certas para compartilhar suas experiências.

Sou um novato na vida espiritual e sinto uma urgência incontrolável de compartilhar as minhas experiências espirituais com todo mundo que eu encontro. É verdade que isso não é algo desejável?

Sri Chinmoy: Se você estiver interiormente inspirado para compartilhar suas experiências com uma determinada pessoa, isso será maravilhoso. Se seu Piloto Interior disser: ”Faça isto!” então faça, mesmo que o mundo inteiro rejeite a sua verdade. Contudo, se Deus não o inspirar, se o Piloto Interior não aprovar, então o que acontecerá? Você apenas se vangloriará com todos, das experiências que teve. Alguns irão zombar de você, arruinando toda a sua alegria e inspiração, alguns irão duvidar de você, fazendo você duvidar de si mesmo e alguns irão ter inveja de você e irão esfaqueá-lo internamente com todo o poder-pensamento não divino deles. Assim, suas experiências desaparecerão, sua aspiração decairá e você perderá toda a sua alegria e inspiração.

Quando você obtém inspiração para ajudar ou inspirara pessoas de algum modo, tem que saber se a mensagem que você quer oferecer para o mundo, foi aprovada por Deus ou ordenada por Deus. Se sentir que Deus pediu para você dividir suas experiências com alguém em particular, então o faça. Se a pessoa aceitá-las ou não, isso não terá importância.

Mesmo que sua experiência for absolutamente real, há algo chamado tempo que é um fator muito importante.Se o que você quiser oferecer for inoportuno, isso irá criar mais desarmonia do que harmonia no mundo. Se você der umaaula de universidade para uma criança que esteja no jardim-de-infância, somente irá confundí-la e massacrá-la. Similarmente, se oferecer sua realização interior para alguém que não estiver pronto, irá apenas destruir a pequena possibilidade que ele tiver. E se você mesmo não for espiritualmente forte, a outra pessoa poderá destruir a pequena capacidade que você tiver. Porém se deus pedir a você para ajudar outros, isso significa que ele já deu a você a capacidade deu aos outros a receptividade necessária.

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